Encontrei-me diante desse silêncio inarticulado um pouco
como a madeira alguns
em momentos semelhantes
pensaram
decifrar em alguma remanência para
eles isso foi uma consolação ou redobro do horror não para mim.
Havia sangue espesso sob tua pele em tua mão
derramado na ponta dos dedos para mim não era humano.
Essa imagem se apresenta pela milésima
vez novamente
com a mesma violência
ela não pode não se repetir
indefinidamente uma nova geração de minhas células se
houver tempo encontrará essa duplicação
onerosa essas
tiragens fotográficas internas
Nada no preto me influencia.
Não me exercito a nenhuma
comparação não avanço
Nenhuma hipótese afundo-me pelas unhas
Sou
em tempos míope não podem dizer-me
olha esse gramado lá dez anos antes vá em sua direção
O olhar humano tem o poder de dar valor
aos seres isso os
torna mais caros. não tenho escolha agora.
*
ASSIM QUE EU ME LEVANTO
Assim que eu me levanto (às quatro e
meia, cinco horas), pego minha tigela na mesa da cozinha. Coloquei-a na
véspera, para
não mexer muito na cozinha, para
reduzir o ruído de meus movimentos.
Continuo fazendo assim, dia após dia, menos por hábito do que para recusar a morte de um hábito. Ficar em silêncio não tem mais a menor importância.
Ponho um fundo de café em pó, da marca ZAMA filtro, que compro em grandes vidros de 200 gramas no supermercado FRANPRIX, em frente ao metrô Saint-Paul. Pelo mesmo peso, ele custa quase um terço a menos do que as marcas conhecidas, Nescafé, ou Maxwell. O próprio gosto é claramente um terço pior do que o nescafé mais grosseiro não liofilizado, que já não é lá essas coisas.
Encho minha tigela na torneira de água quente da pia.
Continuo fazendo assim, dia após dia, menos por hábito do que para recusar a morte de um hábito. Ficar em silêncio não tem mais a menor importância.
Ponho um fundo de café em pó, da marca ZAMA filtro, que compro em grandes vidros de 200 gramas no supermercado FRANPRIX, em frente ao metrô Saint-Paul. Pelo mesmo peso, ele custa quase um terço a menos do que as marcas conhecidas, Nescafé, ou Maxwell. O próprio gosto é claramente um terço pior do que o nescafé mais grosseiro não liofilizado, que já não é lá essas coisas.
Encho minha tigela na torneira de água quente da pia.
Levo lentamente a tigela para a mesa,
segurando-a entre minhas mãos que tremem o menos possível, e sento-me na
cadeira da cozinha, de costas para a janela, em frente à geladeira e à porta,
em frente ao sofá, feio e vazio, que está do outro lado da mesa.
Na superfície do líquido, arquipélagos de pó marrom tornam se ilhas negras bordadas de um lama cremosa que se afundam lentamente, horríveis.
Penso : <<E junto a paus a flux / o horrendo creme.>>
Não como nada, bebo apenas a grande tigela de água mais ou menos morna e cafeinada. O líquido é um pouco amargo, um pouco caramelizado, pouco apetitoso.
Engulo-o e fico um momento imóvel olhando, no fundo da tigela, a mancha preta de um resto de pó mal dissolvido.
Na superfície do líquido, arquipélagos de pó marrom tornam se ilhas negras bordadas de um lama cremosa que se afundam lentamente, horríveis.
Penso : <<E junto a paus a flux / o horrendo creme.>>
Não como nada, bebo apenas a grande tigela de água mais ou menos morna e cafeinada. O líquido é um pouco amargo, um pouco caramelizado, pouco apetitoso.
Engulo-o e fico um momento imóvel olhando, no fundo da tigela, a mancha preta de um resto de pó mal dissolvido.